Monday, April 11, 2011

Dia 4: De Marrakesh a Ouarzazate (Parte 4 - Ait Ben Haddou)


A seguir ao almoço, fizemos um pequeno desvio, que nos levou a Ait Ben Haddou, o célebre local de filmagens de filmes como o Lawrence das Arábias ou o Gladiador.

O caminho é um deserto de terra e calhau, por toda a paisagem, cortada aqui e ali por um grupo de camelos.



Vale realmente a pena o desvio, pois este local - património mundial pela UNESCO - tem o seu quê de mágico.






Ainda parámos as motas e íamos passear a pé dentro dos muros da cidade, mas a tarde trouxe o calor e era mesmo penoso passear ali no deserto debaixo do sol.

(Terá sido mesmo a tarde a trazer o calor, ou realmente o calor já estava assim deste lado do Atlas?)



Dia 4: De Marrakesh a Ouarzazate (Parte 3)


O Atlas divide realmente dois Marrocos: ao descer o Atlas para Sul, a vegetação começa a rarear e o deserto começa a surgir. Mesmo as povoações deste lado da montanha são em número muito menor.

As paisagens, embora diferentes, continuam a ser de cortar a respiração...



Curtimos tanto viajar pelo Atlas que até nos esquecemos de almoçar. Parámos já perto do vale, numa pequena aldeia, à beira da estrada.

Em Marrocos, em qualquer restaurante que se entre, temos sempre 3 pratos + 1. Os três pratos são os couscous, as tangines e as brochettes. Eu não sou nada um bom garfo, pelo que passei este tempo todo em Marrocos e dos três só provei as brochettes, que se trata de uma simples espetada de carne. O problema desta espetada é que em grande parte dos casos é de carne triturada, tipo hamburguer. O +1 é a omelete, que também há sempre, e que nos safou montes de vezes. O Massimo é vegetariano, pelo que os couscous e as tangines foram sempre a escolha mais comum. A Sabrina gosta de provar disto e daquilo. A Lina comeu sempre omeletes.

O pão é um pão achatado, meio sem sal, quase só côdea. Os marroquinos transportam o pão sem qualquer medida de higiene. Quando estavamos neste restaurante vimos um sujeito parar a carrinha e sair de lá com uns 10 pães encostados à sua t-shirt imaculada. Melhor será sempre nem pensar no assunto.

A parte boa é que há sempre azeitonas. Muito boas, e sempre com um molho muito bom. Não há local que não nos sirva logo um prato de azeitonas, e nem nos cobram por isso - o pão e as azeitonas estão incluídos normalmente no preço do prato.

Os preços andam sempre na ordem dos 2 a 4 euros. Uma refeição ficou-nos sempre, em média, na ordem dos 10 euros por casal.

Há muitos restaurantes à beira das estradas. Neste dia ficámos neste, e comemos ao ar livre.

Uma das coisas fantásticas de Marrocos é a sua bebida oficial: a Coca-Cola. Para um tipo como eu, um coca-cola-holic, isto é o paraíso. Principalmente quando me apercebi que estas são as garrafas pequenas....


Nos restaurantes à beira da estrada, é bom não precisar de ir à casas de banho. A foto deste restaurante ilustra o porquê.






Dia 4: De Marrakesh a Ouarzazate (Parte 2 - Col du Tichka)

E lá chegámos ao topo, a 2260 m de altitude, onde tivemos de parar para a fotografia da praxe!


Encontrámos rapidamente o melhor café da zona...



.. onde aproveitámos todos os momentos da sua bela esplanada panorâmica.




Aquele chá de hortelã que a Lina tem nas mãos será sempre relembrado como o mais caro de todo o Marrocos: um euro! Estes tipos das esplanadas exploram-nos como ninguém, mas o extra de mosquitos fez render cada cêntimo.

Aproveitei a altura para tirar a foto artistica do bom motard...

... e a foto artistica do grande apreciador de Coca-Cola.


A subida foi feita tão nas calmas, a absorver tudo o que aquela paisagem nos tem para dar, que nem demos pela altitude.

Tivemos uma sorte enorme com o dia. Estávamos de t-shirt por baixo dos blusões, e sempre muito confortáveis, sem qualquer frio ou calor. Tudo perfeito. Perfeito.



Dia 4: De Marrakesh a Ouarzazate (Parte 1)

O plano das festas para este quarto dia é bastante animador: atravessar o Atlas a caminho de Ouarzazate. Um pouco mais de 200 Km passados em montanha.

As primeiras montanhas que apanhámos eram de cactos. Cactos e mais cactos e mais cactos a subir pelos montes, a dar as boas vindas às aldeias.



As aldeias todas elas castanhas, tom da terra, camaleão a esconder-se.



Estranhamos a quantidade de antenas parabólicas nos telhados.


As casas por acabar, as obras em curso, os animais magros, os homens que estão ali sentados, as mulheres que não se vêem, ...


E no nosso caminho as montanhas!



O caminho para o topo é todo ele muito divertido. Cheio de curvas muito agradáveis, que se fazem muito bem a uma velocidade de cruzeiro, enquanto se aprecia o verde que a proximidade dos riachos traz à montanhas. Um verde sempre sujo de terra, o cheiro no ar sempre com um travo de terra. Terra.




Agora sim, estávamos em Viagem! Era isto que queríamos, foi à procura disto que saímos de casa, e bastou umas horas a curvar pelas montanhas para ficarmos com um sorriso de orelha a orelha!

Oh Yeah, Marrocos Rocks!


Sunday, April 10, 2011

Dia 3: Marrakesh ( Parte 3 )

O resto do dia vagueámos por Marrakech.

Aproveitámos para tirar umas fotos típicas de casalinhos em viagem...


Almoçámos num restaurante panorâmico...



... o que nos permitiu encontrar pérolas como esta:


E aqui um dos mais pequenos locais de estacionamento das motorizadas:


Ao fim da tarde recolhemos ao Hotel onde curtimos uma piscina, descansámos os ossos, e preparámos a noite.

Estão recordados da minha descrição da chegada à Marrakesh, em que falei que realmente havia muita gente nas ruas? Ao domingo à noite a coisa acalma bastante, e já se consegue até tirar umas fotografias:



Olhem as fotos com atenção, pois em qualquer uma delas conseguem ver as motocicletas a andar ali pelo meio! :-)

Da Praça, e das suas actividades nocturnas, não tirámos fotos e sinceramente foi algo que nos deixou impressionados pela negativa. Nas áreas que não estão ocupadas pelas lojas (aqui ao redor a sua maioria vende sumos de laranja e frutos secos), existem o "comércio livre" e a animação. Há coisas realmente muito engraçadas e peculiares, como as raparigas que fazem "tatuagens" em henne, mas o restante é deplorável. Três coisas que quero esquecer: a luta de galos, os encantadores de serpentes, e os pequenos macacos.

Eu tinha uma imagem muito "disney" dos encantadores de serpentes que perdi no primeiro minuto. O "encantador" começou a tocar naquela flauta dourada típica de encantadores de serpentes, mas a serpente não reagiu. O homem pára de tocar, aproxima-se da serpente e prega-lhe dois violentos estalos enquanto vocifera umas palavras ásperas em árabe. Bastou para não ver mais.

Os pequenos macacos andam ao colo dos seus "tratadores" à procura de quem lhes aperte a mão e tire uma fotografia em troco de uma moeda. O olhar triste daqueles macacos dizia tudo o que poderíamos querer saber deles, e nem precisávamos de olhar para a sua fralda descartável.

Amanhã começa propriamente a nossa viagem por Marrocos, podemos perfeitamente deixar Marrakesh para trás.


Dia 3: Marrakesh ( Parte 2 - Suq )

Tivemos uma má experiência com o hotel escolhido na noite anterior. A limpeza não era o seu forte e a simpatia do pessoal muito menos. O Massimo e a Sabrina ainda trocaram de quarto na noite anterior, e eu quase que tive de pedir por favor ao sujeito da recepção para me acender as luzes do hall para não estar às escuras a aceder à internet. Ao pequeno almoço, esperámos uma hora para ser servidos. Antes que algo corresse mesmo muito mal, era altura de partir.

Havia um Hotel mesmo ao lado, pelo que pegámos nas coisas e fizemos a mudança sem grandes problemas. E neste outro Hotel as motas ficavam mesmo atrás de uns belíssimos portões, o que nos deixava bem mais confiantes.

Depois da mudança, rumámos ao Suq. O Suq é o mercado, um labirinto de pequenas ruelas meio cobertas, com lojas de reduzidas dimensões alinhadas em corrente. Uma feira gigante. Vende-se de tudo no Suq de Marrakech, desde o que qualquer residente necessita ao que qualquer turista cobiça: os chinelos "ali bá bá", a ourivesaria, os panos, as peles...

O Suq é uma mistura imensa de cores, de confusão, de movimento. O tecto de canas ou ripas de madeira deixa entrar o sol na quantidade suficiente para fornecer uma pequena atmosfera que compõe o quadro final.




No Suk tudo se vende. Deixo ao vosso poder de observação identificar as lojas desta fotografia:


E reparem que o facto de ser uma zona comercial não impede que a todo o momento existam motorizadas a apitar, e que uma vez por outra não tenhamos que nos desviar para algo um pouco maior...



Há cultura portuguesa no Suq. O meu sobrinho Miguel vai gostar especialmente deste exemplo ilustrativo:


Nada tem preços marcados, excepto algumas coisas em árabe, e todas as compras tinham como princípio a discussão dos preços. A Sabrina era a nossa expert no assunto.


O fantástico por todo o lado: desde a beleza colorida de uma porta metálica, o rapaz artesão que nos oferece uma recordação, ou simplesmente a variedade de aromas e cores de uma loja, a diversidade da oferta de frutos secos...





Foi uma manhã em cheio!

Adenda: eu não escrevi mal "Suq" no top do post. De facto, há várias grafias correctas: souq, souk, esouk, suk, sooq, souq, ou suq.