Aqui deixo uma imagem do trajecto efectuado dentro de Marrocos:

Em termos de quilómetros:
No 1º dia, fizemos cerca de 600 km até Gibraltar, e depois mais 100 já dentro de Marrocos para chegar a Asilah;
No 2º dia, fizemos cerca de 560 km até Marrakech;
No 3º dia não andámos de mota;
No 4º dia fizemos cerca de 260 km, até Ouarzazate, com uns desvio pelo meio;
No 5º dia fizemos cerca de 230 Km até ao Todra, com o passeio pelo Atlas ali ao nível do Dadés;
Mais coisa menos coisa: 1800 km.

Em termos de quilómetros:
No 1º dia, fizemos cerca de 600 km até Gibraltar, e depois mais 100 já dentro de Marrocos para chegar a Asilah;
No 2º dia, fizemos cerca de 560 km até Marrakech;
No 3º dia não andámos de mota;
No 4º dia fizemos cerca de 260 km, até Ouarzazate, com uns desvio pelo meio;
No 5º dia fizemos cerca de 230 Km até ao Todra, com o passeio pelo Atlas ali ao nível do Dadés;
Mais coisa menos coisa: 1800 km.
As paisagens de Marrocos, com destaque para as suas cores, elevam esta viagem ao estatuto de fantástica. Todos os dias diferentes.
Tivemos muita sorte com o tempo: uma temperatura muito amena, perfeita para andar de mota. Nenhum vento - algum no topos isolados das montanhas - nenhuma chuva. O sol alguns dias aqueceu, mas nunca foi insuportável. O céu sempre descoberto.
Em termos culturais e sociais, o descalabro. A forma como as mulheres e as crianças são tratadas definem-se numa única palavra: escravatura. Sempre tive uma ideia clara da cultura árabe, mas a pequena escala que assisti aqui em Lisboa nunca me fez extrapolar para esta realidade.
Escravatura.
Tudo o que me ensinaram desde pequeno aqui aparece ao contrário: é tão complicado ver uma senhora a carregar pesos enormes ao lado do marido de mãos nos bolsos. Ainda mais complicado quando a figura do marido é substituída pela do filho adolescente. O futuro tão previsível.
Olhando para os campos, quem vimos a trabalhar é a mulher. Ou a criança. Por todo o Marrocos o único local onde vi o homem a trabalhar em algo que envolvesse esforço físico foi na construção civil. Tudo o resto era feito pela mulher. Ou pela criança.
O que falar, o que comentar, o que justificar, da escravatura ?
O facto é que estar num país onde a cultura é tão diferente que nos ofende, desgasta e choca, faz com que tentemos evitar as pessoas. A partir deste quinto dia já éramos pessoas muito pouco tolerantes, a nossa paciência começava a rarear, e procurávamos cada vez mais locais sem a presença humana.
Adiante.
Em termos económicos, Marrocos é para um português um local muito barato. Para um português motard a felicidade arranca logo na gasolina a 1 euro: fazer 1000 km em Marrocos custa cerca de 60 euros. A comida é barata também: um casal gasta cerca entre 10 a 12 euros por refeição. A estadia num hotel decente, com jantar e pequeno almoço, custa entre 40 a 70 euros.
Isto para quem viaja em casal e procura mais que os padrões mínimos de conforto numa atitude de moto-turismo e aproveitar as férias. Acredito que se estivesse a viajar sozinho ou num grupo "cada qual com a sua mota à aventura" isto seria certamente (bem) mais barato.
Marrocos é ainda um bom local para ir às compras, para quem gosta do estilo árabe, embora para quem viaja de mota o espaço é sempre um condicionante às compras.
Marrocos é sempre referenciado também como um país onde a droga abunda, principalmente o haxixe. Não demos por nada: fui abordado em Marrakech uma ou duas vezes, mas exactamente como seria nos Restauradores. Não vimos charrados nem junkies, com uma única excepção já mais a norte, com um casal de turistas.
Marrocos é a Disneyland de um coca-cola-holic como eu!
Também nos pareceu sempre tudo muito seguro (fora aquela primeira impressão da chegada a Asilah a meio da noite). Claro que sempre tivemos os cuidados básicos de um qualquer turista numa qualquer cidade, tendo sempre bastante cuidado com as carteiras e malas, etc, mas nunca sentimos receio, mesmo quando os locais eram propícios a roubos.
Marrocos é sujo, porco. Ruas sujas, gente suja. Sujo.
Fomos duas motas e dois casais o que me parece uma escolha bastante acertada para este tipo de viagem.
Há uma diferença enorme entre viajar de mota sozinho e em casal. Há uma diferença grande entre um casal viajar sozinho ou num grupo de 2 ou 3 casais. Há outra diferença enorme entre viajar de mota integrado num grupo grande. Estas diferenças tornam a experiência da viagem tão grande que ando tentado há muito tempo a escrever algo sobre este assunto, mas vou adiando porque não sei se não dará um livro.
Vou adiar outra vez.
Bom post. Mais do que os posts descritivos, gosto destes. Concordo com muita coisa. Se queres mais acção, no que toca a drogas, há que ir para a zona do Rif, Tetouan, Chefchaouen, Ketama, por aí. :-) Mas mesmo em Imilchil, no coração do Atlas, quiseram-me vender umas ervinhas que fazem rir. Tudo sem qualquer agressividade. Brinco com tudo, claro. Nunca experimentei drogas em Marrocos e, embora as autoridades pareçam fechar os olhos a muita coisa, é ilegal e não o recomendo nada.
ReplyDeleteQuanto à higiene, pelo que vi e tenho lido, os standards nos países árabes, são bem mais baixos em relação aqueles a que estamos habituados. O papel da mulher na sociedade muculmana é também muito diferente daquele a que estamos habituados na Europa. Ainda que não conheça "in loco" o mundo para poder fazer comparações justas, suspeito que é a Europa que é excepção no mundo, na igualdade de sexos e nos direitos das crianças. Gostei das considerações sobre as modalidades de viagem, em termos do número de pessoas. A grande diferença, para mim, está entre viajar a solo e com outras pessoas. Não deixando de gostar de andar em grupos (especialmente pequenos), a solo é mais intenso e completo. Sozinhos temos que nos abrir a quem encontramos pelo caminho (locais) e a coisa torna-se verdadeiramente interessante quando temos problemas (mecânicos, de saúde, etc). Mas como não te quero adiantar o livro, vou-me fico por aqui! :)